The Who estreia na América do Sul com show épico no primeiro dia do São Paulo Trip

São Paulo Trip foi um festival que aconteceu na cidade de São Paulo meio que em paralelo ao Rock in Rio com bandas clássicas participantes do festival que acontecia na capital fluminense e mais algumas convidadas mais do que especiais.

O São Paulo Trip acertadamente traz ao palco do Allianz Parque bandas que de fato são perfeitas para se ouvir na estrada, entre elas estão Aerosmith, Bon Jovi, Alice Cooper, Guns N’ Roses e a grande atração da primeira noite, quinta-feira (21/09): o The Who, que pisava pela primeira vez em terras tupiniquins.

Na primeira noite do festival, dia 21 de setembro, quinta-feira, a banda Alter Bridge foi a primeira a entrar no palco. A banda também nunca havia tocado no Brasil, embora alguns de seus membros já tenham tocado aqui quando eram integrantes do Creed. Por ser uma quinta-feira e o primeiro show ter começado muito cedo (18h15), o Alter Bridge tocou para um estádio ainda bem vazio. Contudo, nada disso foi problema, já que, entre as músicas, que incluíram “Metalingus”, “Open Their Eyes” e “Addicted to Pain”, o vocalista Myles Kennedy não parava de sorrir chocado com o fato de que as poucas pessoas que estavam na pista premium tinham as letras de suas músicas na ponta da língua e gritavam cada palavra. Kennedy arriscou um “E aí, galera” em português e dizia como era bom estar lá sempre que podia, além de lembrar da honra que era estar abrindo para bandas tão icônicas que, convenhamos, não tinham muito a ver com o pós-grunge do grupo de abertura.

Lá pelas 20h a próxima banda entra em cena: The Cult. Outra banda importante na história do Rock. A banda inglesa iniciou o show com “Wild Flower” e, ao fim da segunda música “Rain”, o vocalista Ian Atsbury puxou um “Ole Ole Ole Ole Brasil! Brasil! You are so beautiful!”, já deixando claro que estava muito animado por estar lá. Porém, no decorrer do show, era possível notar uma mudança no comportamento de Atsbury. Ele cenava muito para plateia, sempre pedindo mais barulho e fazendo sinais de perplexidade; chegou inclusive a apontar que não estavam em uma biblioteca. Se o vocalista, que não é nenhum estranho no Brasil, parecia desconfortável, não havia mais como disfarçar depois de “Lil’ Devil”, quando disse “Aqui é o Brasil, né? Vocês têm certeza? Não parece o Brasil para mim. Dancem! Se mexam!”. E pela duração da música seguinte, a bronca pareceu ter funcionado, mas por pouco tempo.

Aos poucos o estádio ia ficando mais cheio, mas as pessoas estavam lá mesmo para ver a atração principal da noite. O tão esperado The Who. Mas, de qualquer forma Ian Atsbury encarou a situação como um desafio e tirou da manga todos os truques que o tornaram um frontman de primeira nesses trinta e poucos anos de carreira: pulava freneticamente, corria por toda extensão do palco para interagir com ambos os lados da plateia, batia palmas, jogava seus tamborins na plateia e chegou até a mandar um cara parar de falar com a mãe no celular e prestar atenção no show. Incluindo no setlist duas músicas do álbum lançado ano passado, Hidden City (cuja capa decorava o fundo do palco), a apresentação também contou com hits como “Sweet Soul Sister”, “She Sells Sanctuary” e “Love Removal Machine”, que encerrou a apresentação que foi espetacular.

Com mais de 50 anos de repertório, o setlist do show foi uma verdadeira aula de história do The Who, passando por diversas fases da banda. “My Generation”, “Behind Blue Eyes” e “Who Are You” foram algumas das músicas que não poderiam faltar na apresentação, mas a instrumental “The Rock” provou que o inesperado pode ser também uma agradável surpresa. Mas que realmente deixou o público eufórico foi a perfeita sequência tripla que incluiu “Pinball Wizard”, “See me, Feel me” e a apoteótica “Baba O’Riley”, que levantou o astral dos fãs ao máximo. “Won’t get fooled again” encerrou a primeira parte do show e o bis trouxe “5:15”, que parecia ser a conclusão do show. Muita gente já ia em direção às saídas quando Townshend, como se tivesse sido convencido, voltou e deu início a “Substitute” (improvisado) um dos clássicos sons do início da carreira do The Who e última música da noite. Visivelmente cansado, Townshend pediu ao público – que aparentava que queria ainda mais – “vão pra casa!” encerrando de vez a apresentação.

Setlist do The Who
I Can’t Explain
The Seeker
Who Are You
The Kids Are Alright
I Can See for Miles
My Generation (com trecho de Cry If You Want)
Bargain
Behind Blue Eyes
Join Together
You Better You Bet
I’m One
The Rock
Love, Reign O’er Me
Eminence Front
Amazing Journey
Sparks
Pinball Wizard
See Me, Feel Me
Baba O’Riley
Won’t Get Fooled Again
5:15 (bis)
Substitute (bis)

\m/ Long Live Rock! \m/

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