Fernanda Lira, Angelica Burns e May Undead falam das dificuldades que as mulheres enfrentam no mundo do Metal

Nesta quarta-feira (19), Fernanda Lira (Crypta), Angelica Burns (Hatefulmuder) e May Undead (Torture Squad) participaram da live Sepulquarta sob o comando do baterista do Sepultura, Eloy Casagrande.

Elas começaram falando sobre o isolamento social devido à pandemia vendo como positivo a oportunidade de focar no trabalho de composição de novas canções apesar de problemas como cancelamento de turnês até mesmo internacionais – como no caso do Hatefulmuder que tinha agendada a primeira turnê européia da banda para 2020 – ou a impossibilidade de gravar o álbum de estreia da nova banda da Fernanda Lira, Crypta, e até mesmo a falta de uma turnê de divulgação de um novo álbum que é o caso tanto do Sepultura quanto do Hatefulmurder que tiveram trabalhos lançados no início do ano.

Mas o que mais chamou a atenção no bate papo foi o momento no qual as meninas falaram sobre o machismo e a dificuldade em ser mulher no mundo do Metal contando casos bizarros. Fernanda falou que a banda Nervosa inteira foi barrada no próprio camarim (!!!). Isso mesmo! Ao chegarem, o segurança disse que a partir daquele ponto só poderia passar a banda. Elas então, mostraram as credenciais e o segurança responeu dizendo que era SÓ para a banda e não para as acompanhantes. Ele teve, então, que chamar o produtor (homem) para explicar para o segurança que elas ERAM a banda.

Outro fato inacreditável aconteceu com a May. Ao viajarem para o exterior, o produtor teve que providenciar o visto de trabalho para todos. Porém, ao chegarem a um dos países, ela percebeu que só ela tinha visto de turista. Quando ela questionou sobre o fato, o produtor disse para ela se passar como acompanhante da banda (!!!) o que a deixou magoada e . Só que, ao chegar ao aeroporto foi reconhecida pelos fãs o que poderia prejudicá-la na imigração.

Além disso falaram também que no início da carreira sentiam que sempre tinha que “provar” alguma coisa – que podem cantar gutural sem efeito, que pode cantar e tocar, etc – além de deixar de lado feminilidade para serem aceitas. Hoje, depois de um tempo, já largaram um pouco deste “neura”, mas tendo deixado um certo trauma nelas.

Mais adiante, deram dicas sobre técnicas vocais como hidratação através de inalação, treinar aquecimento e desaquecimento das pregas vocais e, talvez o mais importante, dormir, descansar o corpo. Sempre que der dormir antes dos shows.

Contaram ainda as suas histórias de como entraram neste mundo e quais as suas aspirações neste caminho árduo da música e do Metal.

Enfim, um papo muito agradável, e essencial. Veja a live na íntegra logo abaixo:

Ao final foi apresentado um vídeo de uma versão “quarentena” da canção Hatred Aside do Sepultura com a participação das três vocalistas que pode ser visto abaixo:

\m/ Long Live Rock! \m/

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