A misteriosa bruxa da capa de Black Sabbath finalmente surge 50 anos depois

Por 50 anos, a identidade da mulher que aparece na capa do álbum de estreia auto-intitulado do Black Sabbath permaneceu desconhecida do grande público. Até hoje, exatas cinco décadas depois do lançamento do disco. Conforme revela reportagem da revista americana “Rolling Stone”, o nome da “bruxa” — como descreveu Ozzy Osbourne na época — retratada na imagem é Louisa Livingstone e ela, acredite, é astróloga e faz música eletrônica com uma pegada bastante tranquila, cheia de sons de harpas e sinos.

Na época, a modelo, que media 1,60m e tinha entre 18 e 19 anos, foi convidada por um fotógrafo chamado Keith Macmillan, conhecido como Keef (ou Marcus Keef). Posou com um casaco preto e mais nada além dele. A ideia original, era que as fotos fossem um nu frontal, mas o resultado não agradou, porque o apelo sexual dissipava a atmosfera buscada. O clima em Mapledurham Watermill, no condado de Oxfordshire, na Inglaterra, Reading, a 65 quilômetros de Londres, estava bem frio naquele dia. “Eu tive que acordar às 4h da manhã. Keith estava para lá e para cá mergulhando gelo seco na água, o que parecia não funcionar muito bem. Isso o fez optar por uma máquina de fumaça”, explicou Louise. A modelo diz se lembrar de ter sido informada de que as fotos seriam para o Black Sabbath. “Mas eu não sei se isso fez algum sentido para mim naquela época”, revelou.

Louisa não curtiu muito o disco na época, nem depois. “Me sinto mal por dizer, mas não é o meu tipo de música”, confessa. Suas bandas favoritas na época eram Beatles, Stones, Cream, Traffic e The Doors.

Louisa seguiu como modelo, sem muito destaque, e conta que ninguém a reconhecia como a mulher da capa do Black Sabbath. Um dos seus trabalhos ligados à música, porém, é a foto do encarte de “Jazz”, álbum de 1978 do Queen, em que aparece nua, em meio a várias outras ciclistas (é o disco que tem “Bicycle Race”, cujo vídeo mostra partes da cena fotografada).

Com quase 70 anos atualmente, Louise tem lançado música eletrônica no estilo ambient. Seu nome artístico no ramo é Indreba. Em seu perfil no Twitter, ela explica o significado do nome: Incredible Dream Band (algo como “banda do sonho incrível”, em tradução livre). Em uma das faixas que a artista tem no bandcamp.com, a descrição explica bem que tipo de música ela costuma fazer: “Harpas angelicais doces, sinos e vozes com um toque de violino, para te elevar gentilmente ao sétimo céu.” No Spotify, suas músicas mais ouvidas têm menos de mil reproduções. Talvez a descoberta sobre seu passado, a ajude a ter mais ouvintes.

A capa de “Black Sabbath” foi fotografada por Keith Macmillan, que depois viria a produzir outras imagens icônicas para capas de discos como a de “The Man Who Sold the World”, álbum lançado em 1970 por David Bowie, em que o artista aparece usando um vestido) e a de outros trabalhos do Black Sabbath e de Rod Stewart. Com um background em publicidade, ele usou filme infravermelho da Kodak, que era usado para fotografias aéreas, o que deu um efeito bem afeito ao espírito da época. A construção ao fundo, do século XVII, ainda está lá, de pé, acessível para registros de fãs. Só não parece tão macabra a olho nu e desassociada da música do álbum.

Keef depois se dedicaria à produção de vídeos para bandas, no estilo fast food exigido pela então incipiente indústria. Começou em grande estilo, com “Wuthering Heights”, de Kate Bush, e trabalhou ainda com Blondie, Queen, Abba, Pat Benatar, Paul McCartney, The Who e Barry Manilow, antes de se dedicar a programas de TV. Em entrevista à “Rolling Stone” ele disse que o álbum da banda de Ozzy Osbourne o fez apreciar heavy metal pela primeira vez e isso o transformou em um verdadeiro fã pelo resto da vida.

\m/ Long Live Rock! \m/

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